Vivemos uma época em que é fácil termos acesso à nova grande vedeta e aos truques mais maravilhosos, em que uma semana depois não é novidade e em que é possível aprender esse truque novo em dois dias, pois está disponível ao toque de um dedo e é repetível vezes sem conta.
Eu não sou nenhum dinossauro, mas ainda sou do tempo em que jogos de futebol na televisão era quando o Rei fazia anos ou em tempos de Europeu ou Mundial, e em que só quem tinha gravador Betamax ou VHS é que podia ver coisas repetidas... e esses eram muito poucos. Por isso, os Mundiais de Futebol e os Europeus eram momentos de magia, onde finalmente os fãs do jogo lindo podiam ver aqueles de quem ouviam falar ou liam no jornal.
Eu tinha 9 anos, quase 10, quando começou o Mundial do México 86, e tinha especial permissão para me deitar tarde nos jogos de Portugal, então no seu 2º Mundial, 20 anos depois da estreia (sim, pequenitos... houve um tempo em que a Selecção não ganhava coisas, pois nem sequer ia a coisas...), que começavam às 23:00. Mas os jogos das horas decentes eu via todos, pois aquilo era maravilhoso!!!
Foi então que eu conheci esse gajo, um adulto quase da minha altura, e que tinha um pé esquerdo como nunca se havia visto. Levou a selecção às costas em 1986 e em 1990, a duas finais do Mundial, e ganhou uma.
Hoje deixou o futebol de luto, numa vida sempre ligada a ele, uma vida que começou pobre e podia ter terminado riquíssima, não fossem os excessos e as loucuras cometidas. Mas os génios são assim: loucos que vivem tudo intensamente e com excessos.