Author Topic: Volta ao mundo em Caracol  (Read 2346 times)

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Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #60 on: February 02, 2021, 19: 47 »
Etapa 29
Mineralnie Vodi, Russia (URMM) - Telavi, Georgia (UGGT)
Distância : 330 km
Tempo de voo: 1:45
Combustível: 16 galões

Devido ao extremo mau tempo, a minha estadia por terras da "Mãe Pátria" prolongou-se por uns dias. Mas como depois da tempestade vem a bonança, o sol finalmente apareceu.
O dia nasceu limpo, apenas com uma ligeira neblina. Está na hora de retomar para sul, para terras mais quentes. E para isso tenho de voltar a atravessar a cordilheira do Cáucaso, mas desta vez em direcção a oriente.

Já alinhado na pista, pronto para mais um dia de trabalho.




Antes de me mandar para as montanhas, tenho de fazer uma paragem em Nalchik, por causa do problema descrito nas duas etapas anteriores. No "FSEconomy" é lá que supostamente está parqueado o meu avião e por isso tenho de o ir lá buscar.
O voo é curtinho, cerca de 40 minutos, por isso faço-o baixinho.
Nesta região, os solos férteis e bastante humidade dão uns campos de um verde intenso.




Aproximação à pista de Nalchik com as montanhas em pano de fundo.




Já a caminho da travessia.
Tanto gelo tem de ir para algum lado. Os rios a brotar das montanhas são uma constante.




Pouco antes de abandonar estas planícies ainda avistei estes campos rosas. Não faço ideia o que sejam , apenas que ficam bem na fotografia.




Depois de ganhar altitude, está na hora da travessia.




Como sempre, as montanhas não desiludem na beleza.




E desta vez, até a luz apareceu para apreciar a paisagem.




Mesmo depois de sair dos cumes de neve, ainda tive umas boas dezenas de quilômetros sobre montanhas de altura considerável.




Por fim, o imenso vale da região de Kakheti. Este vale é dominado pelo enorme rio Kura com mais de 1500 quilômetros de extensão, e é aqui que fica o meu destino.






Apesar da sua beleza, esta é uma região disputada entre dois países, a Georgia e o Azerbeijão, disputa essa motivada pela presença do enorme complexo monasterial de David Gareja que se estende pelos dois países.




A aproximação à pista é muito bonita numa sucessão de pequenos bosques e ribeiros, sempre com as montanhas ao fundo.



E até a vista final da pista, parece saída de um postal.




E com esta etapa, termino o périplo pelo Cáucaso, uma das regiões que fazia questão de visitar nesta volta ao mundo.
Começou atribulada a entrada nesta região, mas não podia ter acabado melhor.




Amanhã volto à areia.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #61 on: February 04, 2021, 18: 16 »
Etapa 30
Telavi, Georgia (UGGT) -  Gyandzha, Azerbaijão (UBBG) - Zanjão, Irão (OITZ)
Distância : 152 + 522 km
Tempo de voo: 2:50
Combustível: 17 galões

Está na hora de abandonar as paisagens verdejantes e dirigir-me de novo à areia.
O destino de hoje é a província de Zanjão no norte do Irão. Com quase 700 quilômetros, é uma das mais longas etapas desta viagem.

Sabendo da minha epopeia, recebi um telegrama directamente do Irão a perguntar-me se poderia fazer uma paragem a meio, em Gyandzha no Azerbaijão para pegar uma encomenda. Assim, a etapa de hoje vai ser em duas legs.

Na partida, o tempo sobre a cordilheira do Cáucaso estava medonho e pela previsão meteorológica, ao longo da minha etapa também não está famoso.




Mal saí deste vale, a paisagem mudou abruptamente. O verde deu lugar a formações geológicas que mais pareciam uma paisagem lunar.




A primeira parte do voo foi feita sempre no limite da tempestade. Por esta altura estava um pouco apreensivo por um lado se conseguiria pelo menos chegar ao meu primeiro destino sem grandes complicações e por outro se o tempo me iria permitir depois continuar até ao Irão.
Aqui, dá para perceber que muito próximo do avião, tinha nuvens bem negras.




Felizmente, as nuvens estavam-se a deslocar para Este, logo para longe da minha rota. Já a baixa altitude, pouco antes de aterrar em Gyandzha e a sobrevoar este enorme rio, para o lado direito o sol dominava o céu.




Apenas por uma questão de tradição desta volta ao mundo, fica uma imagem da final. Devo demorar pelo menos um bom par de horas nesta paragem. é que no meio do telegrama do Irão vinha um almoço prometido.




Já de barriga cheia, siga para o Irão.
Ver que o mau tempo se deslocou ainda mais para Este foi uma agradável surpresa. Na rota para Sul irei fazer um desvio de umas cerca de 50 milhas para Oeste para contornar a tempestade, mas em principio não terei problemas de maior.
Já mais calmo e com outro estado de espírito que só a comida sabe proporcionar, tive tempo para apreciar as vistas desta cidade, que é bem maior do que me tinha apercebido na chegada.
Foi-me dito pelo próprio comandante do aeroporto que o meu caracol foi a primeira aeronave de matrícula Portuguesa a lá aterrar. Quem diria que 500 anos depois, ainda tinha-mos Portugueses a desbravar terras por este mundo.




A caminho da segunda parte do voo.



Antes de chegar à altitude de cruzeiro ainda tenho de transpor uma cadeia de montanhas de dimensão considerável. O meu altímetro acusou 3500m.




O resto do voo antes de terminar o desvio foi sobre um região bastante montanhosa. Apesar de mais serem mais baixas, ao longe de vês em quando ainda se avistam picos brancos.



E onde há montanhas há vales com belos lagos.




A cerca de meio caminho, viro à esquerda em direcção ao mar Cáspio. A razão é visitar o Monte Sabalan, um estratovulcão extinto com 4811 de altitude. É a terceira montanha mais alta do Irão. Aqui já a conseguimos ver no horizonte.




O seu pico todo branco, no meio de uma paisagem dominada pelo amarelo, é uma visão deveras impressionante.




Se há coisa que esta viagem me ensinou foi a apreciar as paisagens desertas deste mundo. Eu tinha a ideia que eram sempre iguais e monótonas mas não podia estar mais longe da verdade.
Este vale monumental com um rio serpenteante no seu leito é apenas mais uma amostra do tanto que o mundo nos tem para oferecer.




O meu destino é num planalto adjacente a esse vale. Aqui foi menos de 10 minutos antes da aterragem.




E não podia deixar de meter o postal de saída. Uma imagem da final.




É incrível, comparando a primeira e esta última imagem da etapa de hoje, o quanto pode mudar a natureza em meia dúzia de centena de quilômetros.
Uma longa parte muito quente e seca da minha volta começou hoje.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #62 on: February 05, 2021, 12: 09 »
Report habitual a cada 5 etapas:

30 Etapas
8400 km
46 horas 56 minutos
1478 litros de combustível (valor aproximado)


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #63 on: February 07, 2021, 14: 51 »
Etapa 31
Zanjão, Irão (OITZ) - Noshahr, Irão (OINN)
Distância : 280 km
Tempo de voo: 1:10
Combustível: 10 galões

Se na etapa anterior, a mudança de paisagem em nenos de 700 quilômetros já foi bastante abrupta, na de hoje isso vai ser coisa de meninos.
Imediatamente a Norte da minha actual posição fica uma cadeia de montanhas que desaguam no mar Cáspio e devido às diferenças entre os ventos húmidos de norte e os ventos secos dos desertos a Sul, estas montanhas apresentam uma característica invulgar.
As suas vertentes Norte são verdes e cobertas de floresta, lembrando as paisagens Europeias e as vertentes Sul são secas e sem vegetação, desertas.

Pouco depois da descolagem é fácil constactar que mesmo nestes climas secos, as populações aproveitam todos os recursos cobrindo o solo com campos cultivados.




Seguindo para Norte, e já próximo das montanhas, os poucos recursos que a Natureza oferece rapidamente se desvanecem. Nestes locais, apenas as margens dos riachos oferecem o mínimo à sobrevivencia.




O grosso do meu trajecto foi ao longo deste enorme vale, que corre paralelo à costa do mar Cáspio. Mesmo banhado por um rio, a vegetação surge sempre de uma forma muito tímida.




No entanto a palete de cores é absolutamente estonteante, indo desde os verdes profundos até aos vermelhos.
As imagens não fazem justiça à beleza. Foi uma parte de voo muito bonita.



Chegado ao fim do vale, foi subir e virar à esquerda para atravessar as montanhas. As suas vertentes Sul são secas e desertas.




Mas chegando ao cume dá-se algo surreal. No espaço que se mede em metros a paisagem muda e parece que mudamos de continente.
A Norte, as encostas descem verdes e cobertas de vegetação em direcção à água.







Estejamos onde estivermos é igual no mundo inteiro. Onde há água, há vida  e as margens do mar Cáspio estão totalmente ocupadas pela civilização.




O resto do voo, foi feito junto à costa até à cidade de Noshahr.




Downwing sobre o aeroporto de Noshahr pouco antes da aterragem.


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #64 on: February 08, 2021, 19: 38 »
Etapa 32
Noshahr, Irão (OINN) - Teerão (OIID) - Semnan, Irão (OIIS)
Distância : 330 km
Tempo de voo: 2:00
Combustível: 19 galões

Embora não tivesse intenção de aterrar em Teerão, visto que as taxas dos aeroportos das capitais são sempre muito altas, dada a importância desta cidade, não faltaram encomendas bem renumeradas. Assim,  a etapa de hoje vai ter uma paragem em Teerão, embora muitíssimo curta.

Para me precaver de eventuais demoras não planeadas, resolvi arrancar cedinho.




Teerão fica muito próximo, mas está separado da costa pela cordilheira de Elbruz. Depois de subir até aos 15000 pés, o voo foi todo sobre os picos gelados.



Apesar destas montanhas serem bastante altas, não se comparam com o monte Damavand, a montanha mais alta do Irão, que aqui se pode ver ao longe.




Assim que acabam as montanhas estende-se uma imensa planície. É precisamente nesta planície até ao sopé das montanhas que se localiza a capital do Irão. Apesar de estar adjacente a enormes montanhas é uma cidade muito plana.




O destino da paragem é um pequeno aeroporto situado no meio da cidade. Tem uma pista relativamente pequena, mas chega e sobra para o meu caracol, além de ter taxas muito mais baixas que o aeroporto internacional.




Felizmente as autoridades não levantaram problemas coma burocracia e nem sequer precisei de desligar o motor. Parece que a minha volta ao mundo já é conhecida por estas bandas e até me pediram selfies junto ao meu avião.

Após partir, o destino é o monte Damavand.




Junto ao monte a paisagem é simplesmente incrível. Um planalto a mais de 2500 metros com rios e lagos cobertos de gelo proporcionou algumas das mais belas vistas desta viagem.








Com 5610 metros, o monte Damavand é a mais alta montanha da região. Aliás, é até o vulcão mais alto de toda a Ásia.
Este em particular é ainda potencialmente activo. Não sei bem o que isso quer dizer, mas foi o que me venderam uns dos meus passageiros de hoje.
Esta montanha tem ainda um lugar especial na mitologia e folclore Persa. Isto foi das coisas que tenho reparado nesta volta ao mundo, é o papel primordial e mesmo espiritual que as mais altas montanhas têm na cultura e mitologias das regiões onde se inserem.




A cordilheira de Elbruz estende-se no Norte do Irão ao longo de toda a costa do mar Cáspio. Aqui, a sobrevoar a encosta no monte Damavand, consegue-se ver o mar ao longe.




O meu destino ainda fica a 130 quilômetros para o interior, já fora desta cordilheira. Durante o percurso as montanhas foram diminuindo, mas  a beleza da paisagem manteve-se. Aqui uma vista que quase parece tirada de Marte.




Por fim, a grande planície à vista.




Mesmo sendo muito seca, nesta região os rios ainda são uma constante, talvez fruto do degelo das neves altas. E como sempre, junto à água surgem pequenos afloramentos de vegetação.




A aterragem veio 5 minutos depois.
Esqueci-me da fotografia da aterragem, por isso fica uma do caracol no descanso.




Esta foi uma etapa que me deu muito prazer e a confirmação que o Irão é um país fantástico.
Tenho pena, que os choques de civilizações, politiquices e muita arrogância e intolerância cultural de todas as partes ainda ergam barreiras completamente desnecessárias entre tantos países.

Offline Isidro Magalhães

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #65 on: February 08, 2021, 20: 55 »
Para quem não sabe, uma das minhas paixões é andar de mota. De vez em quando assisto a vídeos e documentários sobre pessoas que largam tudo para fazer grandes viagens de mota, algumas em verdadeiras voltas ao mundo, outras com grandes voltas mas não tão grandes.
Uma das coisas que é transversal a todas essas voltas é a beleza da paisagem do médio oriente e dos "istões" como eu lhes costumo chamar (Paquistão, Afeganistão, etc etc), e a simplicidade e humildade das suas gentes (longe das zonas de conflito).
É impressionante como, sempre, por mais humilde que seja o refúgio, as pessoas locais convidam estranhos para jantar com elas, partilhar da sua comida e do seu abrigo, sem pedir ou esperar algo em troca. Algo praticamente impensável na nossa sociedade.

Ver estas paisagens do ar é algo diferente, pois estou habituado a ver ao nível do capacete, mas fazem jus a uma região lindíssima que de certa forma sinto que também já conheço.
E estou a adorar o relato e os screenshots. Continua!


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #66 on: February 10, 2021, 12: 34 »
Obrigado Isidro!
Isso que dizes é bem verdade. Por muito boa e instantânea que seja a divulgação de informação hoje, sinto que na maioria das vezes, e especialmente nos meios de comunicação mais mainstream ainda é muito filtrada e por vezes só conta parte da história.
O Microsoft Flight Simulator ainda não permite interagirmos com as gentes do mundo, mas no que diz repeito à paisagem tem sido uma autêntica surpresa, com a beleza a surgir em locais onde não era esperada. É incrível a quantidade de vales, montanhas, rios, planícies, etc com beleza que não ficam em nada atrás de outros locais super conhecidos e turístico e que provavelmente nunca ouvimos sequer falar.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #67 on: February 10, 2021, 12: 36 »
Etapa 33
Semnan, Irão (OIIS) - Sarakhs, Iran (OIMC)
Distância : 690 km
Tempo de voo: 2:30
Combustível: 23 galões


Depois da parte "gira" do Irão, tenho pela frente uma longa travessia que me parece aborrecida até chegar aos Himalaias.
Hoje quando acordei e fui ao site de meteorologia que costumo usar para planear os voos, fiquei bastante satisfeito. Tinha ventos favoráveis de quase 100 km/h acima dos 18000 pés.
Decidi assim planear um voo relativamente longo e desta forma optimizar o voo em altitude e tirar proveito desta ajuda. Tinha francas espectativas de hoje bater o recorde de velocidade do meu caracol.

Resolvi também usar um truque que já uso à muito em voos mais chatos. Partir ao nascer do sol, e dessa forma usar a luz dourada e a mudança de luz para introduzir algum interesse num voo que promete ser chato.

Infelizmente e com o entusiasmo dos ventos favoráveis, nem me lembrei que até na Pérsia há nuvens. E quando cheguei ao avião, o tempo estava assim:




Ao longo da minha rota, não havia nuvens baixas, mas à esquerda sobre as montanhas estava muito agreste.




Subi apenas até cerca de 14000 pés por causa do tecto de nuvens e durante algum tempo não houve problema, embora a velocidade não seja nem próximo daquilo que esperava. No entanto, numa distração, deixei-me atravessar numa nuvem e com temperaturas de -5, o gelo começou logo a atacar.




Felizmente, à medida que o sol ia subindo, as nuvens foram-se dissipando e aproveitei uma aberta para descer um pouco e com a ajuda do sol, limpar o gelo.




Uma vez que estou a navegar por VOR, e para voos longos como o de hoje, o ideal é ir saltando de VORs em VORs intermédios, visto que o alcance destes anda nos 150 quilômetros, e não é sempre.
Aqui, num dos pontos intermédios. A grande cidade de Mexede, a segunda mais populosa  do Irão.





Por fim, o meu destino final, a cidade de Sarakhs. Esta cidade fica mesmo na fronteira do Irão e do Turcomenistão. Esta cidade que teve o seu apogeu no séc. XI, foi uma importante paragem da rota da seda e era considerada um importante polo cultural com imensas bibliotecas.

Aqui, uma vista do aeroporto ligeiramente afastado da cidade.




Embora a rota de seda já não exista, esta cidade ainda hoje é uma importante paragem ferroviária na região, como se pode verificar pela estação local.




Aterragem tranquila.


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #68 on: February 17, 2021, 15: 18 »
Etapa 34
Sarakhs, Iran (OIMC) - Maimana, Afeganistão (OAMN) - Cabul, Afeganistão (OAKB)
Distância : 880 km
Tempo de voo: 3:30
Combustível: 30 galões

Bem, a ideia hoje era fazer uma etapa nocturna. Infelizmente está lua nova e quando fui experimentar voar, a noite estava completamente negra, só se vendo os instrumentos do avião. Sendo assim, o voo nocturno fica adiado para outras núpcias.

Seguindo a rota dos "Istões", depois do Irão segue-se o Turcomenistão e com destino final no caloroso Afeganistão. :)

5 minutos depois da descolagem, uma última vista sobre a cidade de Sarakhs e do Irão. Não me canso de repetir, este país foi uma surpresa em termos de paisagens e fico ansioso por cá voltar.



Se há coisa que tenho aprendido nestas aventuras, é que os desertos são grandes, muito grandes e não é fácil sair deles. O sul do Turcomenistão é dominado pelo deserto do Karakum. Não rivaliza com os gigantes como o Saara, mas ainda assim ocupa um honroso décimo lugar no ranking dos maiores do mundo.

E ao contrário do Saara que começa aos poucos, este entra logo a matar. Logo no arranque, era isto que se via.




E pouco depois, foi sempre a piorar.








A única cicatriz nesta imensa pele de areia, é o imenso rio Murgab. Uma grande barragem a meio do seu percurso, potenciou água no deserto e consequentemente, a agricultura nas suas margens.
Vista da barragem.



Como todos sabem o Afeganistão tem sido e continua a ser um país atormentado por constantes conflitos. Estava naturalmente reticente em sobrevoa-lo. Mas vários contactos que tenho nas forças armadas estacionadas no país, garantiram-me que desde que seguisse escrupulosamente o planos de voo, não teria problemas.
Assim sendo, e seduzido por outro país que promete magníficas paisagens, lá segui em direcção ao Afeganistão.

A cidade de Maimana, o meu destino intermédio de hoje. Já no Afeganistão e mesmo no fim do deserto, é a minha porta de entrada da zona mais montanhosa do globo.




Aqui, estive pouco mais de meia hora, apenas para comer um kebazinho e dar de beber ao caracol.



Mal descolei, reparei que seguia um vale muito engraçado por entre as montanhas à volta desta cidade. Resolvi brincar um bocadinho e voar baixinho para variar.







Depois foi subir, subir, subir.
Até Cabul, ainda tenho mais de 400 quilômetros  sobre alta montanha.
Para isso tive de levar o Caracol aos seus limites e esta segunda parte do voo foi quase toda muito próximo do tecto máximo do meu avião. Por estar a voar tão perto dos limites do avião, pelo aspecto agreste da paisagem por debaixo de mim e principalmente pela imensidão e extensão destas condições, esta foi uma segunda parte bastante tensa e que exigiu muita concentração.




Já estou habituado a sobrevoar montanhas, e estas ainda nem era as mais altas, mas a extenção desta paisagem, sem dúvida que me marcou.




Por fim, o imenso vale de Cabul.




Vista da cidade e do seu aeroporto.




Uma das condições para ter autorização de aterrar em Cabul, foi que teria de fazer uma das aproximações à pista standard dos aviões grandes, pois além de ser um espaço aéreo muito saturado, tem muitos voos militares à mistura e é a única zona onde me garante segurança no ar.
Assim, antes de me fazer à pista ainda tive de voar mais de 30 quilômetros no sentido oposto para seguir as instruções da carta de aproximação. Esta é uma fase do voo toda feita seguindo os instrumentos.




A final.

« Last Edit: February 17, 2021, 15: 25 by Alexandre Baptista »

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #69 on: February 26, 2021, 18: 50 »
Etapa 35
Cabul, Afeganistão (OAKB) - Jalalabad, Afeganistão (OAJL)
Distância : 120 km
Tempo de voo: 0:45
Combustível: 6 galões


Apesar da relativa segurança em sobrevoar esta zona, as burocracias rivalizam com as montanhas em tamanho.
Foram quase dez dias para conseguir os salvo-condutos que me permitiriam seguir o voo que quero seguir. Tudo começou mal porque apesar de me garantirem a segurança, não a garantem todos os dias e a janela para o corredor aéreo civil só abriu uma semana depois de ter aterrado em Cabul.
Depois temos o facto de o meu próximo país, o Paquistão, não ser propriamente unha com carne com o Afeganistão por isso foram mais um par de dias só para a autorização para sobrevoar a fronteira. E por fim, foi o visto especial que me dava acesso à zona do K2, a segunda montanha mais alta do mundo e a mais mortífera para os alpinistas.
E com esta treta toda, o tempo que estava excelente, piorou e agora é uma tourada para conseguir céu limpo.

A ideia inicial era já hoje aterrar no Paquistão, mas o tempo nas montanhas estava intransponível, por isso fiz uma leg pequeninha.
Aqui a taxiar em Cabul.




E uma vista da cidade segundos depois da descolagem.




O voo foi todo feito a baixa altitude, sobre este enorme vale. Mas dada a altitude do mesmo, no altímetro marcavam 12200 pés. Para muitos aviões ligeiros, acima do seu tecto máximo.



Vista da paisagem deste vale. Tem um ar extremamente inóspito e agreste.




Nem meia hora tinha passado e eis Jalalabad.




Era por este vale em direcção às montanhas que deveria seguir o meu voo, mas como se vê o tempo não permite.




E por fim, a final antes da aterragem.




Em principio já não terei problema com a burocracia, mas o tempo está a dificultar muito a progressão, e atendendo que vou entrar dentro das montanhas mais altas do planeta, não posso arriscar nem um bocadinho.
« Last Edit: February 26, 2021, 18: 53 by Alexandre Baptista »

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #70 on: February 26, 2021, 19: 11 »
E a cada 5 etapas, o resumo.
Batida a significativa marca dos 10.000 km.


35 Etapas
10700 km
55 horas 51 minutos
1811 litros de combustível (valor aproximado)