Author Topic: Volta ao mundo em Caracol  (Read 1439 times)

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Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #30 on: October 22, 2020, 10: 14 »
15 etapas e mais ou menos 4000 km.


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #31 on: October 24, 2020, 23: 06 »
Etapa 16
Lamezia Terme, Italia (LICA) - Bari, Italia (LIBD)
Distância : 260km
Tempo de voo: 1:15
Combustível: 11 galões
Pares de cuecas: 2

"Não há duas sem três", e depois de levar dois dias seguidos de mau tempo, o terceiro continuou muito cinzento.
Pelo menos, e ao contrário dos anteriores, hoje o céu parece ter umas abertas e espero não ter problemas de maior.





Visto que a meteorologia indicava mau tempo, especialmente na primeira metade do voo, mais junto ao aeroporto de partida, e esta zona é particularmente montanhosa, resolvi fazer os primeiros quilômetros junto à costa Oeste para evitar as montanhas do interior e depois atravessar o país por cima da tempestade, que supostamente só iria até aos 12000 pés.


O início não foi nada de especial. Algumas nuvens mas tudo sob controle......ainda.






O problema foi que uns minutos mais à frente, o tempo começou a apertar. As nuvens adensaram-se bastante e a visibilidade desaparecia totalmente desde o solo. Nesta altura tomei a decisão de iniciar a subida o quanto antes para poder sobrevoar o mau tempo.






Já dentro das nuvens a visibilidade, como seria de esperar, desaparecia mas felizmente não havia
nem chuva nem turbolência.





No entanto, uma situação que parecia completamente sob controlo, rapidamente se deteriorava para níveis muito graves.
Como toda a gente sabe, à medida que a altitude sobe, as temperaturas descem.
Já próximo dos 10000 pés, quando já deveria começar a ver o céu azul acima de mim, nem sinal dele. E a temperatura já se aproximava perigosamente dos zero graus.

Quando finalmente saí das nuvens, a cerca dos 12000 pés o coração gelou-se-me. E infelizmente dentro de pouco tempo não seria só o coração.
Ao invés de me encontrar acima das nuvens, estava apenas numa clareira que ia até ao solo. E para piorar muito as coisas, por estar exposto ao ar frio da altitude, nesta clareira a temperatura caíu imediatamente para 4 graus negativos. E como se tudo isto não bastasse, o que me faltava subir para ficar acima das nuvens ainda era demasiado para o meu caracol sem evitar entrar nas nuvens.





Aqui uma vista do "buraco" que ia até ao solo.






Com estas temperaturas, assim que voltasse a entrar nas nuvens e como estas são feitas de água, iria-se formar seguramente gelo no meu avião. E visto que o meu avião não tem mecanismo descongelante, o perigo de perder a sustentabilidade e com isso cair era nesta altura muito real.

Tenho uns segundos para decidir se desço e tento encontrar ar mais quente ou arrisco a subida a fim de sair das nuvens.
Irei arriscar a subida. Já estou demasiado alto e a descida levaria muitos minutos e confesso que o aspecto das nuvens não me deu muita confiança se aguentaria muito tempo.
A subida, caso tudo corra bem, serão apenas mais uns segundos ou poucos minutos no máximo.

Preparei-me com aquela confiança que todos conhecemos dos tempos de escola em que não estudamos nada para os exames, eles correm-nos obviamente mal, mas até recebermos as notas há uma esperança irracional que talvez até tenhamos sorte.

Do que aconteceu de seguida, infelizmente não ficaram imagens. Foi demasiado intenso para me lemnrar dos screensshots, mas fica o relato:
-Assim que penetrei nas nuvens, em poucos segundos as minhas piores previsões confirmaram-se. O gelo rapidamente começou a cobrir o para-brisas. Durante os primeiros segundos tive a mais previsível reacção nestas situações. Comecei por largar algum lastro que me obrigaria a trocar de cuecas à chegada, seguido de 10 segundos de todas as asneiras do meu curto reportório. Depois de reposto algum discernimento, apressei-me a afinar a mistura do avião para retirar toda a potência que conseguisse e pilotei o mais suave que pude para optimizar a subida e dessa forma talvez conseguir safar-me.
Felizmente, as nuvens só duraram uns poucos segundos e consegui, pelo menos, encontrar ar seco. Em principio o gelo não iria aumentar. Agora só tenho de ver se isto se aguenta.

Imagem à saída das nuvens.






o pior é o gelo nas superfícies de ataque do avião, que cortam a sustentabilidade do mesmo.





Felizmente, o gelo não foi suficiente para criar nada de muito grave. Foram poucos segundos nas nuvens e uma vez estabilizado o avião, era altura de pensar em regressar.
Apesar de ter perdido alguma performance, ainda tinha reserva de potência por isso o primeiro passo foi abrandar o motor antes que sobre-aquecesse.





Passados alguns minutos, comecei a avistar abertas na camada de nuvens. Tinha o voo estabilizado mas ainda precisava de baixar para altitudes mais quentes.





Aqui, já a altitudes bem menores, o pior já tinha passado. Agora é só esperar que o gelo derreta e continuar o voo.



Ainda demorou uns 15 minutos. Praticamente limpo de gelo.





Confesso que com esta situação, perdi completamente a vontade de passear. Só queria era meter o caracol no chão e acabar com este calvário. Ainda assim obriguei-me a tirar algumas fotografias. Isto foi tudo passado no sul de Itália.





Já perto da costa Oriental o tempo já era bem mais aberto.





Alguns aguaceiros soltos proporcionavam o aparecimento dos belos arco-iris.





A paisagem ao redor de Bari, é tipicamente Europeia com auto-estradas e cinturas industriais.





Aproximação à pista.








Gosto de voar, mas não há nada como o chão.





Quando iniciei este projecto já sabia que iria ter imprevistos e viver aventuras. Estava a contar com África, mas foi aqui à nossa porta que  a coisa ia descambando.
Este foi um exemplo em como uma situação aparentemente simples pode degenerar num caso muito grave. Na aviação real o gelo é uma das maiores se não a maior causa de acidentes.
Agora é tempo de desanuviar, pensar no voo, analisar o que é que correu mal para que não volte a acontecer.
Ah, e já me esquecia.....de comprar mais uns pares de cuecas.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #32 on: October 29, 2020, 03: 26 »
Etapa 17
Bari, Italia (LIBD) - ilha de Brac, Croácia
Distância : 280km
Tempo de voo: 1:40
Combustível: 11 galões

Depois do susto da última etapa, resolvi tirar uns dias não só para descansar mas principalmente deixar o tempo abrir. Tão cedo não me quero apanhar noutra.
Para esta etapa, escolhi um destino que me é particularmente querido. A Croácia, onde já fiz férias por duas vezes e que adoro.
O aeroporto de chegada será numa das centenas de ilha que a Croácia tem, e que posso testemunhar, são muito bonitas.

Para além de bonitas paisagens e sol, hoje irei contar mais uma vez com a companhia do meu companheiro e "wingman" Comandante Trindade.
Desta vez, ele não vem de Mooney, mas de Beech Bonanza.

Os dois já prontos para a descolagem, à espera de autorização da torre.




O plano é subir um pouco a costa Italiana durante uns 100 quilômetros e só depois atravessar o Adriático.
Ao início já contava com algumas nuvens.
Nesta primeira parte do trajecto, a baixa altitude, decidiu-se que iria o Trindade à frente porque como o meu Mooney é mais rápido, seria mais fácil para mim assegurar a formação.




Nós iríamos sair de Itália por Vieste, uma cidade numa enorme península a meio da "bota" Italiana. Aqui, somos nós a atalhar caminho.




Visto que a  fase seguinte do voo é sobre a água, decidimos subir não só para poupar combustível mas para conseguir-mos velocidades mais altas.





Agora já praticamente à altitude de cruzeiro, à saida definitiva de Italia.




Ao contrário do meu motor que é completamente atmosférico, logo perde muita potência com a altitude, o avião do Comandante Trindade trazia um motor melhorado com um kit de turbo compressor. Isso permitia-lhe manter a potência praticamente toda quase até aos 18000 (que no meu é quase o limite máximo), mas ainda lhe permitiria, caso pretendesse, altitudes de cruzeiro até 25000 pés. Aqui já estamos a entrar no território dos grandes airliners.
A nossa altitude de cruzeiro neste voo foi de 14500 pés. Nestas altitudes, o Bonanza do Trindade já anda mais que o meu, por isso passei eu para líder da formação.




Já à chegada das famosas ilhas Croatas. Esta primeira comprida é a ilha de Hvar. Eu escolhi passar por esta ilha porque já a visitei toda de carro e tinha muita curiosidade em vê-la do ar.




Uma vista geral da ilha. Para além das praias magníficas, lembro-me que ao longo da estrada havia milhares de romanzeiras carregadinhas de romãs.




Não sei o nome desta terriola mas reconheci-a imediatamente. Aquando da minha estadia, passei lá uma bela manhã de praia.




Na ponta Norte da ilha fica a cidade de Hvar que dá o nome à ilha. É uma cidade muito pitoresca com edifícios em pedra e é um destino turístico muito apreciado por milionários. O pequeno porto está carregadinho de iates e faz lembrar em pequena escala o Monaco, embora muito mais bonita.




O aeroporto de destino fica na ilha de Brac. Uma ilha imediatamente ao lado de Hvar entre esta e a costa. Aqui, já na aproximação a Brac.




Aqui podemos ver a ilha de Brac em primeiro plano e Hvar lá ao fundo.



Esta sequencia de imagens não faz jus à aproximação, que para mim foi das mais bonitas que fiz aqui no MSFS. Desde a luz que estava fantástica, o facto da pista estar entre os pinheiros e esta estar num planalto com Hvar ao fundo, tudo estava perfeito. Era de um final destes que estava a precisar.





Por fim o desejado descanso.
Resta-nos uma merecida tarde de praia na companhia dumas Croatas amigas do Comandante Trindade. E olhem que apesar de lindas paisagens, a Croácia tem coisas ainda mais bonitas de se verem. :coolshad:
Esta foi sem dúvida a etapa que precisava.


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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #33 on: October 31, 2020, 05: 39 »
Etapa 18
ilha de Brac, Croácia (LDSB) - Drubovnic, Croácia (LDDU) - Tirana, Albania (LATI)
Distância : 350km
Tempo de voo: 1:50
Combustível: 14 galões

Mesmo no Outono as praias da Croácia não desiludem. O sol estava radiante e as companhias ainda melhor.
Infelizmente, hoje o Comandante Trindade não me acompanha. A nossa noite anterior foi muuuuito longa e hoje de manhã recebi uma mensagem dele no telemóvel a dizer-me que ainda tem uns assuntos pendentes a tratar.
E mais não digo porque o que acontece em Brac fica em Brac. :biglaugh:

Para hoje tenho planeado um voo que é uma cópia quase integral dum passeio que fiz de carro à uns anos atrás numas férias passadas aqui. A única diferença é que hoje irei fazer em duas horas e de carro foram 3 dias.
Irei descer a costa até Dubrovnic, onde irei deixar uma passageira. Uma das amigas do comandante. Partirei de seguida, continuando pela costa do Montenegro e acabarei a etapa em Tirana, capital de um dos paises mais fechados do mundo, a Albânia.



Parece que a minha sorte mudou de vez e o dia voltou a nascer limpo, com um sol fantástico.
Acabadinho de descolar, percebe-se a magnifica implantação do aeródromo de Brac, à beirinha da falésia.




Típica paisagem por estes lados com ilhas umas atrás das outras.




Algumas são muito grandes com vários quilômetros, mas juntamente com as menores somam 698 ilhas só à custa da Croácia.




Vista da parte velha da magnífica cidade de Dubrovnik.
Esta é constituida por casas e prédios de parede em pedra, cercados por uma muralha. Está classificada como património mundial da Unesco mas está ferida por uma história de guerra recente. Foi palco de brutais combates na guerra dos balcãs e quando lá estive em 2007 ainda eram muitas as cicatrizes de guerra recentes nas paredes dos edifícios.





Aqui, imediatamente antes de descer as rodas para o "pitstop" intermédio.




Não tive nem dez minutos no chão. A descolagem do mesmo local.





Poucos quilômetros depois muda-se de país, Montenegro. Mas não se muda para pior.
O Montenegro não compete com a Croácia em termos de turismo mas bate-se de igual para igual em beleza e ganha aos pontos na preservação do seu património, ainda protegido dos milhares de turistas que assolam todos os anos a Croácia.
E se esta joia de país, tem um diamante, esse diamante é a Baía de Cataro e principalmente a cidade de Kotor. Outra cidade património mundial da Unesco.

Entrada da baía.





A baía, mais parece um lago de águas espelhadas, ladeada por montanhas escarpadas.
Aqui à esquerda, entalada entre as margens da baía e montanha, fica a famosa cidade medieval de Kotor. Esta cidade ficou mundialmente famosa por ser palco do casino da última parte do filme do James Bond "Casino Royal".





Uma vista mais abrangente de toda a baía.





O resto da viagem foi mais do mesmo. Uma costa fantástica.
Uma curiosidade: nesta costa do adriático praticamente não há praias de areia e a toalha tem de ser estendida ou sobre rochas ou em pequenas praias de areia muito grossa, quase parecendo brita de construção mas mais escura.





A citadela de Sveti Stefan rodeada de água, hoje transformada num resort de luxo.





E por fim a aproximação a Tirana.
Daqui sei muito pouco. Nunca lá estive. Do ar percebeu-se que todos os terrenos planos estão cultivados.




Sendo um país extremamente fechado, não estranhei o principal aeroporto estar praticamente deserto.




E foi mais uma etapa, com sabor especial para mim. Trouxe-me muitas recordações.
O simulador não desiludiu. Não meti mais imagens porque eram redundantes mas asseguro-vos que passei por diversas zonas em que as identifiquei e me lembro claramente de lá passar à 13 anos.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #34 on: November 02, 2020, 13: 05 »
Etapa 19
Tirana, Albania (LATI) - Atenas, Grécia (LGAV)
Distância : 740km
Tempo de voo: 3:00
Combustível: 28 galões

"Não há fome que não dê em fartura".
Depois de uma entrada quase desastrosa na Europa, com tempestades, gelo e sustos...muitos sustos, hoje seguiu-se mais uma etapa solarenga e tranquila. E que etapa!
Com 740 quilômetros e três horas de voo, foi a etapa mais longa até agora e também a que mais prazer me deu.

O dia tinha tudo para começar bem. Estava bem dormido,estava bom tempo, o trajecto prometia ser bonito e acima de tudo iria contar mais uma vez com a companhia do nosso comandante de estimação. Resolvidos os seus haveres com as Croatas, eis que o comandante Trindade se apresentou ao serviço para mais uma etapa. Desta vez, voltou a trazer o seu Mooney igual ao meu,




Ultima vista do vale de Tirana.




Tenho pena que estes Albaneses sejam um povo tão fechado, porque do ar têm um país maravilhoso.




Uma das coisas que salta à vista é a estereotomia quase milimétrica dos campos agrícolas.




O plano é seguirmos mais ou menos ao longo da costa até um VOR numa ilha já na Grécia, e depois virar 90º à esquerda, para o interior.
Duas imagens da paisagem Albanesa.








Já a chegar ao nosso primeiro destino, a ilha de Corfu, onde estava situado o nosso primeiro VOR desta etapa.




A partir daqui, o voo seguiu para o interior através no Norte da Grécia.
Aqui já a sobrevoar os montes Pindo. Estes formam uma cadeia montanhosa que percorre a Grécia de Norte a sul e na antiguidade eram chamados da coluna vertebral da Grécia.




E é precisamente nestes montes Pindo que se situa o nosso principal ponto turístico da etapa de hoje e razão da nossa incursão para o interior. O vale de Metéora com os seus famosos mosteiros. Tal como a cidade de Kotor, da etapa anterior, também este vale já foi palco uma importante cena de um dos filmes de James Bond e também é classificado como Património Mundial pela Unesco



Estes rochedos são famosos por terem nos seus topos um dos  mais importantes complexos de mosteiros do Cristianismo Oriental.
Infelizmente, os modelos do Microsoft Flight Simulator não lhes faze justiça.




No entanto não resisti a uma pequena ousadia. Não sei se os monges terão apreciado.




A partir daqui foi retomar a altitude de cruzeiro e rumar a sul, direcção a Atenas.





Aqui já sobre a ilha Egina, no golfo Sarónico ao largo de Atenas.




E finalmente o nosso destino final, a majestosa cidade de Atenas. Berço da civilização ocidental e da democracia.



****************************************************************************************************
MINI-AULA
Para quem não sabe, na maioria dos aeroportos grandes e de medias dimensões, existem rotas pré-definidas de chegada e partida dos aviões cujos pilotos têm de seguir rigorosamente sempre sob a monitorização dos controladores aéreos dos respectivos aeroportos.

Existem sempre diversas rotas tanto de chegada como de partida e a rota a usar depende sempre da origem ou destino do avião, da pista que está a ser usada nesse dia e eventualmente outra qualquer razão e quem tem a última palavra sobre a rota a usar é sempre o controlador aéreo.

As rotas estão descritas em cartas que os pilotos devem sempre ter e como boa prática convém que os pilotos estudem minimamente essas cartas antes de usar os aeroportos, para facilitar no momento as orientações dos controladores. Além disso algumas destas rotas podem ser bastante complexas e de difícil execução e se os pilotos não souberem antecipadamente o que fazer pode ser muito complicado ou mesmo impossível executa-las correctamente no momento.

Estas rotas não só descrevem a posição do avião mas também as altitudes a que devem voar em determinada localização.

Os objectivo da existência destas rotas são essencialmente dois:
-Por um lado garantir que inúmeros aviões não entrem em conflito espacial e consequentemente haja colisões. Logo estamos a falar de segurança.
-Por outro facilitar a aproximação dos aviões à pista ou caso se trate de descolagem, facilitar a transição entre a pista e as rotas de cruzeiro dos respectivos aviões.

Estas rotas começam muitos quilômetros antes da chegada aos aeroportos e acabam no início da aproximação final. Sendo que estas aproximações em definição já não fazem parte das rotas de chegada. Para as de partida é o inverso. Começam depois da descolagem e estendem-se por vários quilômetros até às rotas de cruzeiro.

****************************************************************************************************


Visto que o nosso aeroporto de destino é precisamente o aeroporto internacional de Atenas, hoje pela primeira vez aterrei usando uma destas rotas que acabei de descrever. Aqui já sobre o aeroporto de Atenas, já a meio da tal rota.
Se alguém precisar, têm aqui em PDF as cartas deste aeroporto.
http://www.matraair.hu/charts/LGAV.pdf




Um voo tão fantástico como o de hoje tinha de terminar com uma aterragem em formação.

Neste caso, sendo eu o líder da formação na aterragem , coube ao Trindade a dificílima tarefa de garantir a integridade da formação.
Para quem não sabe, aterrar em formação é mesmo muito difícil e nos simuladores ainda mais. Não só temos de estar sempre a monitorizar os instrumentos como ainda temos de estar sempre a olhar para o lado para controlar a formação.
O facto de eu e o Trindade já voarmos juntos à mesmo muitos anos e na maior parte do tempo em simuladores de aviação de combate, faz com que este procedimento se torne quase natural e intuitivo, mas para isto acontecer, foram centenas de aterragens juntos e desconfio milhares de horas de voo em conjunto.

Nota:Na aviação civil, e especialmente nestes aeroportos, aterrar em formação é de todo proibido salvo raras excepções como em festivais aéreos. Por isso, nesse aspecto, a nossa aterragem não é realista.

Aqui, já na final, a controlar a posição do Trindade.




Visto que a pista tem de dar para os dois, decidimos que eu ficava com o lado esquerdo.



E por fim....o final.


Esta foi, sem sombras de dúvidas, a minha etapa preferia até agora.
« Last Edit: November 02, 2020, 13: 09 by Alexandre Baptista »

Offline Mário Peixoto

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #35 on: November 05, 2020, 14: 19 »
Fantástico, Alexandre!! Que grande aventura e nem sequer vais muito adiantado. :biggrin:

Saiu novo post no FB. Depois mete os quilómetros já percorridos no próximo update, se faz favor. ;)

Offline Paulo Honorato

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #36 on: November 05, 2020, 15: 40 »
Só passei por aqui para agradecer ao Alexandre e ao Isidro por colocarem estas imagens e textos que são espetaculares e que dá um gosto ler e ver.

 :clapping: :thank_you2: :drinks:

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #37 on: November 06, 2020, 16: 51 »
So passei para dizer que realmente as mulheres são umas interesseiras. Se chegassem de fiat punto queria ver se havia "problemas" para o capitão trindade...

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #38 on: November 08, 2020, 19: 23 »
Obrigado malta. Saber que seguem a aventura ajuda e de que maneira à motivação.

João, quem nos dera a todos termos os problemas com que o Comandante Trindade se deparou na Croácia.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #39 on: November 08, 2020, 19: 23 »
Etapa 20 - ÁSIA
Tirana, Atenas, Grécia (LGAV) - Esmirna, Turquia (LTFA)
Distância : 300km
Tempo de voo: 1:30
Combustível: 13 galões

Depois de alguns dias parado, eis-nos de volta e desta vez para mais um novo continente. Nada menos que a gigante Ásia.
Apesar de ainda só ter percorrido uma fracção daquilo que será o trajecto final, o facto de já estar no terceiro continente diferente, mostra bem o peso geográfico do Mediterrâneo. É fácil de perceber porque é que é o berço da Ocidentalidade. A confluência de culturas acontece aqui a um nível que não se vê em mais lado nenhum do mundo.

A partida, catapultada pelo grande aeroporto internacional de Atenas.




Antes de me dirigir à Turquia, tive uma autorização especial para dar um passeio por cima de Atenas.
Obviamente, a Acrópole tinha de fazer parte da colecção de registos fotográficos desta expedição.




Quando enquadrada na malha da cidade moderna perde um bocadinho o seu encanto.




Esta foi a última fotografia da Europa. Possivelmente só daqui a uns meses, regressarei ao nosso velhinho continente.




A travessia do Mar Egeu foi feita em altitude. Tenho andado cansado e sinceramente só me apetecia um voo curto e descomplicado para retomar o ritmo.
Quem já leu as epopeias clássicas Gregas sobre Ulisses ou Aquiles, sabe que este mar está recheado de ilhas e ilhotas.
Algumas, pequeninas...




...mas outras de tamanho bastante considerável, contendo algumas delas potências independentes e autónomas na Antiguidade.




Por fim, a Turquia.




O meu destino é uma base militar na cidade de Esmirna. Infelizmente, não estou autorizado a revelar-vos a razão do porquê ter escolhido esta base como destino.




CURIOSIDADE:
Toda a gente conhece a famosa crise dos mísseis de Cuba. Um dos episódios mais potêncialmente explosivos da guerra fria, quando os Soviéticos colocaram misseis balísticos em Cuba.
O que quase ninguém sabe é que esse episódio não foi iniciado pelos Soviéticos. Aquela decisão foi uma retaliação do facto dos Americanos terem colocado um ano antes, misseis balísticos com ogivas nucleares precisamente nesta base de Esmirna, mais precisamente nas montanhas ao redor da base.
Pouco depois, por causa da crise dos mísseis de Cuba, eles tiveram de retirar os seus mísseis da Turquia. Mas ainda hoje, a localização exacta das instalações desses mísseis permanece em segredo.

Já na base, o ambiente não era propriamente acolhedor.
Felizmente, espero eu, sou só um civil que estava com um avião no local certo à hora certa.


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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #40 on: November 08, 2020, 19: 25 »
20 etapas.

Mais ou menos 6000 km.


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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #41 on: November 23, 2020, 21: 26 »
Etapa 21
Esmirna, Turquia (LTFA) - Balikesir (LTBF)
Distância : 150km
Tempo de voo: 0:54
Combustível: 6 galões

-----------------------------------------------------------------------------
Aparte:
Como seria de esperar em grandes voltas, nem sempre temos ventos a favor. Infelizmente, o último update do Microsoft Flight Simulator criou problemas no addon do Mooney, o meu avião, e o simulador estava sempre a crashar. Depois de várias tentativas em que o simulador me crashou a meio do voo, perdi um pouco a motivação o que me fez "descansar" durante 15 dias. No entanto, depois de uns testes e muita leitura em foruns da especialidade, lá arranjei um compromisso com o avião e finalmente consegui retomar a volta.
Sem mais demoras, segue o relato.
-----------------------------------------------------------------------------

Apesar da apreensão inicial quando aterrei nesta base militar, tenho de confessar que fui muito bem recebido e só tenho bem a dizer dos Turcos. Belíssima comida e boa vida noturna. Não foram 1001 noites, mas foram uma mão cheia delas bem passadas.

Mas a vida continua, e o voo tem de prosseguir.
Hoje, vou cumprir mais um contracto militar. O destino é outra base militar a poucos quilômetros a sul de Instanbul.
No entanto, como agradecimento, o meu cliente, um general local, prometeu-me uma autorização especial para um voo muito especial sobre a capital.

A largada de Esmirna, já na hora dourada. O tempo está xoxo por isso apostei no pôr do sol para sacar umas boas fotos.




Aposta ganha. A luz estava excelente.



Apesar de ainda não estarmos no Inverno, a temperatura exterior baixou para 3 graus e já escaldado de outros sustos resolvi não arriscar. A subida foi uma sucessão de curvas para evitar as nuvens.



Como a distância até ao destino  não é muita, subi apenas e necessário para evitar as nuvens.




Já próximo do destino o tempo abriu. A paisagem não é nada de especial por isso fica apenas um registo duma zona salpicada de moinhos eólicos.




Descida pintada do belo pôr-do-sol .




A base de Balikesir é composta por duas pistas. A mim calhou-me a 36L. 36 é o prumo da pista, neste caso 360º e L é de left (esquerda). Obviamente a outra é a 36R.




E por fim o local de estacionamento.




Este foi um voo curtinho. Como disse, o avião no MSFS está com problemas e por isso não quis arriscar num voo longo e ele crashar a meio.
A próxima etapa promete ser especial.

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #42 on: November 30, 2020, 16: 37 »
Etapa 22
Balikesir, Turquia (LTBF) - Izmit, Turquia (LTBQ)
Distância : 316km
Tempo de voo: 01:30
Combustível: 12 galões

Não há muitas cidades com o peso histórico de Istambul. Outrora chamada de Constantinopla, foi a capital do Império Romano, do Império Bizantino, do Império Latino e do Império Otomano. Na idade média era a maior e mais rica cidade da Europa.
Hoje, já não tem a relevância da sua história, mas não deixa de ser ainda uma grande e importante capital mundial.

Atravessada pelo estreito de Bósforo, este é muitas vezes confundido com um rio, mas na realidade é apenas uma língua de água que une o mar Negro ao mar Mediterrâneo. E é este estreito, que separa a Europa da ásia que confere ainda hoje grande importância estratégica a Istambul.

A paisagem noturna, especialmente a urbana com as suas luzes, pode ser tão espectacular quanto a diurna, por isso escolhi a noite para visitar Istambul.

Largada de Balikesir praticamente ao cair da noite.



Já vem sendo um lugar comum, mas não me canso das linhas esbeltas deste Mooney Bravo.




À medida que o sol descia, subia a magia da luz .




Quem gosta de fotografia de paisagens, sabe que existe um momento do dia onde a luz é realmente mágica. Por vezes são apenas de alguns segundos mas é sempre especial.
Esta é das minhas imagens preferidas desta volta.




Ao longe já se vêem as luzes de Istambul.




O estreito de Bósforo é atravessado por três enormes pontes e todas elas têm iluminações nocturnas muito vistosas.




Como em todas as cidades modernas, não faltam grandes avenidas e bairros de grandes edifícios, provavelmente polos financeiros ou comerciais.




Mais uma vista com as últimas luzes do céu ainda a contribuir para a beleza da paisagem.



E por fim, a última ponte do Bósforo, praticamente à entrada do mar Negro.
Esta ponte é recentíssima, inaugurada em 2016 e é a maior ponte suspensa do mundo.




O meu aeroporto de destino fica a quase 80 quilômetros do centro de Istambul, mas a malha urbana da cidade nunca nos chega realmente a largar.




Por fim a aproximação final à pista. Com bom tempo e a quantidade de luz presente, a aterragem nocturna nestas condições não apresenta dificuldade nenhuma em relação à diurna.



Estava um pouco reticente em escolher a noite para visitar um dos poucos destinos que tinha à partida desta volta definido, mas acho que não podia ter escolhido melhor oportunidade para estrear o voo nocturno

Offline Carlos Santos

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #43 on: January 13, 2021, 16: 07 »
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Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #44 on: January 17, 2021, 19: 10 »
Etapa 23
Izmit, Turquia (LTBQ) - Kastamonu, Turkey (LTAL)
Distância : 318km
Tempo de voo: 01:30
Combustível: 14 galões

Depois de uma paragem para férias, toca a andar.
Para recomeço desta volta, infelizmente, fica uma etapa sem grande história.
Durante umas duas ou três etapas terei de percorrer todo o Norte da Turquia, com a motivação de saber que no fim irei chegar a uma região que me é muito querida e que conheço muito bem, para além de ser bem mais interessante.

Aqui, a largada de Izmit.


Nesta região ainda relativamente próxima de Istambul, vistas de cima, as cidades parecem-se muito com as nossas, com as vulgares cinturas industriais.




Sem ser feia, esta zona também não é particularmente bonita. Para a minha pequena etapa escolhi percorrer um vale, que une praticamente Izmit ao meu destino, e dessa forma não me preocupar muito com a navegação.




Apesar de tudo, aqui e ali ainda se encontram alguns locais merecedores de uma fotografia. Desconheço o nome do lago ou da monhanha, mas fica a vista.





Esta longo vale termina na montanha de Ilgaz Daglari. Com 2587 metros e cume arredondado, dá para perceber que se trata de uma montanha muito velhinha, fazendo lembrar a nossa Serra da Estrela.




Junto ao cume a neve ainda deu ares da sua graça e valeu-me um bonito passeio para disfrutar das vistas.



Aqui, foi virar 90 graus para Norte de descer por 10 minutos até ao meu destino.
Esta imagem foi praticamente em cima do aeroporto com a montanha ao fundo a servir de palco.



"Downwind" sobre a cidade de Kastamonu e "base leg" à direita.





E por fim, já na final até à pista.




Como disse, foi uma etapa morna e possivelmente seguir-se-ão mais duas ou três assim, mas depois estou esperançoso de ter outras tantas muito especiais. ;)