Author Topic: Volta ao mundo em Caracol  (Read 700 times)

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Offline Mário Peixoto

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #15 on: October 12, 2020, 11: 09 »
Alexandre, posso publicitar esta volta ao mundo no FB da PTSims? ;) Acho que pode atrair alguma malta, sobretudo com fotos tão boas que já tiraste!

Offline Isidro Magalhães

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #16 on: October 12, 2020, 19: 57 »
Eu não gosto de simulação aérea, mas esta aventura toda que tens colocado dá uma vontade do caraças...
Então imagina como eu estou, que também já andei nestas lides, e gosto de simulação aérea.

Alexandre, estás a subir imenso a fasquia no que diz respeito à qualidade das imagens. Estou a adorar.  :ok:

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #17 on: October 13, 2020, 19: 44 »
Etapa 8
Timimoun, Argélia (DAUT) -  El Golea, Argélia (DAUE)
Distância : 290 km
Tempo de voo: 1:40
Combustível: 13 galões

Apesar do susto inicial de não haver hotel, a noite foi surpreendentemente bem passada. Estas gentes do deserto são extremamente hospitaleiras e tive direito não só a guarida mas também a um belo jantar.
Apesar do calor, resolvi partir a meio da manhã.
Aqui, já no ar.




Esta cidade de Timimoun, nasceu tal como todas as outras cidades do deserto, apoiada num oásis. E numa meia duzia de quilômetros ao redor da cidade, dá para perceber o alcance destes postos de água. No meio da areia surgem afloramentos verdes, sempre escoltados por algum casario.




Mas não tenhamos ilusões. Estamos a falar de pontinhos perdidos no meio da imensidão do maior deserto da terra. Poucos minutos depois, vastos mares de areia voltam a dominar a paisagem.




Passado algum tempo, surgiu a primeira preocupação desta viagem. Apesar de ter VORs tanto na partida como no destino, o alcance destes por estas bandas é curtíssimo. Menos de 40 quilômetros e ao fim de alguns minutos a voar às cegas as preocupações começam a surgir. Nestes momentos é muito fácil começarmos a duvidar da nossa navegação.
Eu tinha combustível de sobra, para caso acontecesse alguma coisa, rumar a norte e voar umas horas valentes até sair do deserto, mas esta era a última coisa que me apetecia fazer. Eu sabia que a cidade para a qual me dirigia se encontrava numa enfiada de uma linha de relevo a sul da minha rota, visivel nas cartas. O problema é que não sabia bem o que era esta linha de relevo e se ela seria suficientemente visível para ser avistada do ar.
Rumei assim a sul e em pouco tempo percebi que esta pequena linha era na realidade um desfiladeiro brutal que atravessava esta parte do deserto formando como que um degrau a meio do Saara.
Aqui, já se o vê ao longe.




Já sobre o mesmo, fui presenteado com umas paisagens incríveis. Segui durante algum tempo esta falésia.




Uma imagem vale por mil palavras e duas ainda mais.






Passado algum tempo, este desfiladeiro foi perdendo força. No entanto, o Saara continua a presentear-nos com as mais diversas surpresas.
Um banco de sal.




Entretanto, já com o sinal de VOR apanhado, o regresso foi sem complicações.
As típicas dunas de areia.




Por fim o meu destino. A cidade de El Golea servida pelo Oasis do mesmo nome. Só uma nota: o nome actual da cidade é na verdade El Menia e ambos os nomes significam "castelo inexpugnável".




Vista aérea da cidade.



Uma das surpresas desta viagem, tem haver com o nível civilizacional presente nestas remotas localidades. No meu imaginário, estas cidades à volta dos oasis, no coração do Saara, seriam apenas pequenos povoados com gentes de turbante e camelos com meios ainda muito rudimentares de subsistência.
Mas a realidade não quer saber do meu imaginário e só veio acentuar a ignorância que muitos de nós temos em relação ao mundo fora dos nossos círculos. Considero-me uma pessoa minimamente informada sobre o mundo, mas cada vez mais, como dizia o Sócrates (estou a falar do Grego :)), "só sei que nada sei".
Aqui, e contra tudo o que poderia imaginar, campos agrículas moderníssimos com máquinas de apoio que muitos dos nossos agricultores, só podem sonhar.
Imagem quase surreal.






Esta já dispensa legenda.



E por fim toca a arejar o caracol. Felizmente nestas alturas do ano a temperatura já só vai nuns amenos 41 graus.



A partir de amanhã irei rumar para norte, iniciando a saida do Deserto. Desta pequena incursão pelo Saara ficaram para mim três grandes lições:
-O Saara, ao contrário daquilo que se vê nos filmes, não são só dunas de areia. Tem uma topografia bastante diversificada e nada monótona. Salvaguardo, que visitado do chão e de carro, a percepção é seguramente diferente.
-Como já referi, os polos urbanos estão longe de ser lugarejos de gentes de turbante e camelos. Estamos a falar de cidades já de alguma dimensão, com tecnologia e hábitos já bastante ocidentalizados e em alguns mesmo como Bechar são mesmo centros culturais de grande importancia para a região com museus, universidades e outras instalações de peso.
-O Saara já foi em tempos uma região verdejantes de savana, tundras e mesmo besques banhados por inúmeros rios. O que nunca me passou pela imaginação é que os sinais desses tempos estivesses ainda tão presentes e marcados no deserto dos dias de hoje.
O Saara que atravessei continua a ser uma região coberta de rios e marcas de água, embora já secos à muitos séculos.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #18 on: October 13, 2020, 20: 07 »
Mario, obrigado pelos elogios. Sim, podes publicitar.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #19 on: October 14, 2020, 21: 37 »
Etapa 9
El Golea, Argélia (DAUE) - Noumerat-Moufdi Zakaria, Argélia (DAUG)
Distância : 220 km
Tempo de voo: 1:00
Combustível: 10 galões

Hoje sentia-me cansado e pouco motivado. Depois de vários dias no deserto, o entusiasmo inicial já amainou. O Saara não é para fracos e depois de vários dias de calor extremo e noites com uma esteira a servir de cama, este começa a deixar marcas.
O facto de já estar a regressar para norte, também retirou muita da sensação de descoberta. A etapa de hoje, encarei-a mais como algo que tinha de ser feito do que propriamente um passeio.
Mas como o que tem de ser, tem muita força, lá voltei ao escritório.





Ultima vista do grande oásis de El Golea.




A oeste desta cidade estende-se uma das maiores extensões de dunas de areia do mundo.




O resto da etapa foi curto e sem grande história. No entanto, mesmo cansado, a beleza e diversidade do Saara continua a maravilhar. Algumas imagens que mostram esta variedade de terrenos. Todas aconteceram em cerca de meia hora de voo.




Até minas de sal eu vi.




Já próximo do meu destino, o pôr do sol, como sempre a pintar tudo da sua luz única.




Pouco passava dos três quartos de hora de voo, o meu destino. Noumerat-Moufdi Zakaria, uma pequena cidade ao redor da água, como todas por aqui.



"Base Leg"




E por fim, o ponto final já típico das minhas etapas. Imagem da aproximação. Possivelmente a última no Saara.


Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #20 on: October 15, 2020, 13: 25 »
Etapa 10
Noumerat-Moufdi Zakaria, Argélia (DAUG) - Touggourt, Argélia (DAUK)
Distância : 230 km
Tempo de voo: 1:00
Combustível: 10 galões

Para hoje, eu tinha planeado fazer uma etapa mais longa e aterrar nas margens do Mediterrâneo, mas esqueci-me de um pormenor. É que o meu avião precisa de combustível e este aeroporto não tem serviço de abastecimento de aviões.
O combustível que tenho no depósito até chegaria teoricamente para o que tinha pensado fazer, mas chegaria em vapores e seria um risco desnecessário. Bastaria um contratempo como ventos de frente e poderia transformar-se num problema muito sério.

Assim sendo, o que era para ser a minha última etapa de deserto, foi promovida a penúltima.

Na entrada da pista a aguardar autorização para a descolagem.



Já no ar, um exemplo de como estes povos aproveitam cada gota de água. Pequenos campos agrícolas ainda à volta da cidade da minha partida.



A partir daqui foi mais uma etapa simples. Por estas zonas o Saara já é bem menos arenoso. O solo parece-me bem mais duro com uma rocha barrenta em tons de vermelho forte. O que continua a ser constante são os fantasmas de um passado muito mais verde e cheio de rios.



As marcas da civilização também começam a aparecer com frequência, como estradas....



....e quintas.



Outra mudança tem haver com a frequência com que pequenos oásis surgem. Nesta imagems podem-se ver salpicos de manchas escuras. São pequenos afloramentos de flora.




Sendo que alguns destes oásis já são maiores, suportando pequenas cidades.




Para destino, escolhi  Touggourt. Uma cidade já de tamanho bastante considerável com cerca de 40.000 habitantes. O oásis sobre a qual apareceu estende-se por vários quilômetros.



Apesar de suportarem muita vegetação, estes oásis do deserto, estão longe de serem bosques verdejantes como os que conhecemos.




Infelizmente esqueci-me da tradicional fotografia de aproximação, por isso fica uma do caracal já no descanso.



Foi mais uma etapa curta e sem grandes novidades.
Estive a ver as cartas e julgo que a próxima "leg" trará grandes novidades em termos de vistas. Se o tempo ajudar, tenho esperanças de sacar belíssimas imagens.

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #21 on: October 15, 2020, 13: 25 »
Como prometido, a cada 5 etapas fica uma actualização da rota já percorrida.
Neste momento levo um pouco menos de 3000km.
Por aqui se percebe que a minha incursão no deserto, foi só mesmo uma perninha para cheirar.


Offline Mário Peixoto

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #22 on: October 16, 2020, 10: 50 »
Foi difícil selecionar imagens para postar no FB!! :shok:

Ainda assim, meti 8 delas. Vamos acompanhando a tua jornada, Alexandre. Isto é épico! Estou com tanta gana de fazer uma, mas vou começar por algo mais pequeno para não desistir hehe. Tenho ideia de fazer uma "Volta ao Mundo Down Under", com partida de Adelaide e visitar a Austrália a toda a volta, com uma incursão a Alice Springs para ver o deserto e à Tasmânia. :biggrin:

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #23 on: October 17, 2020, 17: 53 »
Etapa 11
Touggourt, Argélia (DAUK) - Sfax, Tunísia (DTTX)
Distância : 470 km
Tempo de voo: 1:40
Combustível: 15 galões

Parece que hoje é de vez. Tenho o avião abastecido, plano de voo preparado e vontade a 100%. Hoje voltarei a ver o mar.
A tirada é grande mas estou decidido a lá chegar.

Esta foi tirada imediatamente após a descolagem. Ainda nem tinha recolhido as rodas.




Apesar de já estarmos nas "margens" norte do Saara, este não desarma e as dunas de areia persistem.




Visto que a leg de hoje é razoavelmente grande e por estas alturas, já chega de fotografias do deserto, aproveitei para esticar as asas ao caracol. Decidi efectuar uma série de testes para recolher informação que mais tarde me será muito útil.
Queria ver até que altitude conseguia levar o avião e depois anotar consumos, regimes de motor e velocidades de forma a perceber melhor os seus limites.

Aqui, à passagem dos 10.000 pés (mais ou menos 3 km).
Esta é a altidude limite para se voar em aviões não pressurizados como o meu sem máscara de oxigénio.
Lá em baixo, aqueles pontos são campos redondos de cultivo. Pela quantidade se percebe que por estas bandas a água já não é tão escassa.




A partir dos 12.000 pés, a subida foi muito lenta.
Infelizmente, a cerca de 17.000 pés (pouco mais de 5 km) encontrava-se uma camada de nuvens.
A esta altitude a temperatura exterior era cerca de -7 gráus e sendo as nuvens formadas por água, se as atravessa-se iria garantidamente formar-se uma camada de gelo sobre o meu avião.

Só por curiosidade, o gelo é o pior inimigo dos aviões, especialmente os ligeiros, sendo uma das principais causa de quedas dos mesmos. Além de os tornar muito mais pesados, torna as superfícies das asas irregulares interrompendo o fluxo de ar. Isso retira-lhes as propriedades aerodinâmicas e tornam-se literalmente uns calhaus impossíveis de voar.
Muitos aviões, têm mecanismos de aquecimento ao longo as asas que faz com que não se forme gelo.
O meu Mooney, infelizmente não tem estes mecânismos, por isso atravessar as nuvens, poderia ter resultados desastrosos.
Resolvi estabilizar aos 16.500 pés. Eu reparei que ainda tinha motor para subir mais um pouco, mas já estou seguramente perto do limite.

Nem de propósito, cheguei a esta altitude ao mesmo tempo que cheguei à costa.




Está na hora de efectuar uns testes e tirar notas. Estes motores têm regimes de eficiência em que é necessário respeitar, não só para se optimizar a performance, mas acima de tudo perservar os mesmos. Na pala do sol, no cockpit temos uma tabela com estes regimes.




Não vou entrar em tecnicismos, mas resumindo encontrei um regime que me pareceu excelente, onde consegui uma velocidade no solo de 207 nós (normalmente a altitudes inferiores ando nos 180/190 nós) com um consumo de 9 galões por hora (lá em baixo ando nos 12 galões por hora). Logo, dá para perceber que para grandes travessias, voar alto é a solução, desde que o tempo o permita.



Findados estes testes, foi só ligar o autopilot e usufruir das vistas que eram excelentes.






Estas montanhas pareciam literalmente cicatrizes da terra. As imagens não fazem justiça à beleza das mesmas.



E como se não bastasse, por vezes o sol espreitava, criando momentos absolutamente fantásticos.







No fim desta cadeia montanhosa, o meu destino. A cidade de Sfax, nas margens do Mediterrâneo já com o aeroporto à vista.




A rota de aproximação à pista, cumprindo as orientações do controlador, passava sobre o mar.




E por fim, a final.




Toca, a desligar e visitar a cidade....e quem sabe conhecer alguma professora de história. ;)


Offline Mário Peixoto

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #24 on: October 18, 2020, 13: 07 »
Alexandre, como tiras as fotos sem o HUD? Eu sei meter em "active pause", mas aparecem sempre items. Ainda ando um bocadinho às aranhas com os controlos e afins, agora que peguei mais a sério, o comando é extremamente sensível. Com a Cessna ando aos pinotes, quanto maior o avião, mais fácil, mas ainda assim é complicado. Tenho mesmo de ir buscar o joystick.

Já estive a analisar o mapa da Austrália para a minha volta Down Under. O avião está escolhido: é um dos monomotores mais rápidos do mundo, o Daher TBM 900. Até já saquei um pack de liveries. :biggrin:

Ontem fiz um voo de reconhecimento saindo de Adelaide. O avião é super rápido, ia ali a bater nos 280 nós sem problema nenhum (e nem sequer vi a altura ideal, ia a 5000 pés para apreciar as vistas). Quando estiver mais habituado aos comandos, faço 2/3 legs e depois, se vir que não desisto a meio, junto-me a ti. ;)

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #25 on: October 18, 2020, 16: 58 »
Mário, em relação ao hud na vista externa, se bem me lembro é no menu das câmaras que configuras isso. Há lá uma opção qualquer para tirar o hud.
Em relação ao controlo dos aviões, é um problema generalizado deste MSFS. A melhor opção é teres mesmo um joystick e no menu da configuração de eixos, tens lá uma opção para ajustar a sensibilidade. Eu tenho as minhas por volta dos 40/50%.

Offline Alexandre Baptista

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #26 on: October 18, 2020, 17: 50 »
Etapa 11 - EUROPA
Sfax, Tunísia (DTTX) - Lampedusa, Itália (LICD)
Distância : 190 km
Tempo de voo: 0:50
Combustível: 7 galões

Hoje vou abandonar África e tinha planeado uma estadia em Malta, em jeito de homenagem. Por maus motivos, esta ilha teve uma história importante na aviação. Foi palco de uma das mais épicas batalhas aéreas da segunda guerra mundial, onde os Alemães e Italianos tentaram vergar a ilha, impondo um cerco aéreo. As batalhas aéreas com os Spitfires e Hurricanes Inglesas que defendiam a ilha, ainda hoje são alvo de histórias e lendas.

A minha estadia em Sfax foi uma desilusão. Isto é uma cidade com belas praias e o tempo estava óptimo. Por todo o lado, era só bikinis e corpos bronzeados, mas a única recordação que trouxe foram uns screenshots.
Valeu-me um contracto para transportar uns passageiros para Malta com passagem em Lampedusa.
A partida, foi só isso. Uma partida sem nada de especial.




No ar percebe-se bem a dimensão desta cidade.




Não faço ideia que legenda hei de dar a isto, mas mereceu uma fotografia.




Até Lampedusa, o voo foi monótono. Algumas nuvens e é isto.




Pouco antes da chegada a Lampedusa aconteceu-me um contratempo. Eu vou-vos dar duas versões e vocês escolhem a que mais gostarem para o relato:

Versão 1:
Um bando de aves migratórias atravessou-se no caminho, embatendo no avião. O choque foi tremendo e cheguei a temer o pior. Felizmente o susto foi só mesmo um susto e o avião não aparentava danos. Resolvi encurtar a etapa para Lampedusa apenas, afim de efectuar uma vistoria de verificação.

Versão 2:
A minha filha mais nova deu-me uma noite anterior terrível e por isso, hoje sofri um brutal ataque de sono. Por respeito às regras desta volta, aguentei até aterrar e fui dormir.

Finalmente, Lampeduza à vista.
Esta é uma pequena ilha Italiana junto a África, famasa pelas belas praias e água cheia de vida marinha.




Apesar de muito bom, em alguns locais este MSFS ainda precisa de ajustes. O terreno 3D desta ilha não é propriamente excelente.




Aproximação final à pista.




Hora de dormir....ups, de fazer reparações.


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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #27 on: October 18, 2020, 23: 54 »
Etapa 13
Lampedusa, Itália (LICD) - Malta (LMML) - Catânia, Italia (LICC) - Sigonella Mil, Catânia, Italia (LICZ)
Distância : 400 km
Tempo de voo: 2:20
Combustível: 17 galões

Depois de um dia inteiro de volta do avião, chegou-se à conclusão que este estava mais que apto a retomar caminho.
Decidido a não perder tempo e também para minimizar as perdas com os contractos de transporte que tinha de cumprir, arranquei bem cedinho. O plano é fazer uma escala na ilha de Malta e partir de seguida para Sicília.

Este vou trouxe uma estreia nesta minha volta ao mundo. O primeiro voo com companhia de outro avião.
O contemplado foi o Comandante Trindade com outro Mooney igualzinho ao meu, só que mais feio.:D
O Comandate Trindade e eu já voamos juntos à muitos anos. Temos literalmente milhares de horas juntos, principalmente em simuladores de combate.
Assim sendo, voar em formação, não nos acarreta nenhuma dificuldade.
Infelizmente, com esta novidade, esqueci-me das fotografias da praxe da descolagem. Só me lembrei da máquina de fotografar, já ia-mos altito.




Pouco depois, vieram as nuvens e sendo o voo sobre o mar, decidimos subir e faze-lo acima das mesmas.




Já junto a Malta, e uma vez efectuada a descida, a primeira vista da ilha foi majestosa.




Visto que o aeroporto se encontra na ponta oposta da ilha, resolvemos fazer um voo rasante pela costa sul da ilha.






Com os seus 27 quilômetros de comprimento, foram meia dúzia de minutos até à aproximação à pista já em Valeta, a capital da ilha.



Praticamente a poisar.




A estadia em Malta foi de apenas alguns minutos. Largar os passageiros, embarcar outros e siga. O Trindade ainda me tentou convencer a passar lá o dia mas com clientes passageiros, estava fora de questão.
Aqui, a última vista da ilha, já sem companhia.




Já no ar e com nuvens, a receita foi a mesma. Subir e voar alto.
A surpresa, foi avistar o vulcão Etna no Horizonte acima das nuvens.




Para compensar o dia anterior, este dia estava destinado a correr bem e sobre Sicília, as nuvens abriram. Nem de encomenda.




Nunca tinha ido a Sicília e para além de ser a Terra da Máfia, pouco sabia sobre a ilha. Fiquei surpreendido com o seu tamanho.
Tem quase um terço da área de Portugal e nela habitam 5 milhões de pessoas. O voo até ao meu primeiro destino ainda demorou um bocado. No entanto, estava um dia espectacular e foi um prazer. Aqui ficam umas imagens.







Já junto ao meu primeiro destino, a cidade de Catânia no sopé do Etna.




A segunda escala do dia.



A estadia foi de apenas alguns minutos. Largar dois passageiros e levar o último, um capitão para o aeroporto militar aqui da zona. Estas escalas são chatas e demoram algum tempo, mas visto que estou a voar usando o FSeconomy, asseguram-me pelo menos o dinheiro para o combustível e taxas dos aeroportos.




O último destino, é um aeroporto militar da mesma cidade a 8 milhas de distância. O voo não demorou 5 minutos.
Aproximação à pista.




Apesar de longa, acabou por ser uma etapa muito prazerosa, tanto pela companhia do comandante Trindade na primeira leg, como pelas magníficas vistas que Sicília me proporcionou. Acabei por ficar amigo do meu último cliente, o Capitão Giovanni e ficou prometida uma mini volta a esta ilha.

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #28 on: October 21, 2020, 00: 13 »
Etapa 14
Sigonella Mil, Catânia, Italia (LICZ) - Catânia, Italia (LICC) - Catânia, Italia (LICC)
Distância : Indefinido
Tempo de voo: 1:00
Combustível: 12 galões

Hoje é suposto seguir para Itália continental, mas à chegada à pista, o céu estava assim.




Primeiramente, tenho de entregar uma encomenda de volta no aeroporto de Catânia. São 8 milhas e 5 minutos de voo, por isso e esforço compensa se entrarem mais uns trocos. Afinal o combustível e taxas de aeroportos ainda custam bastante dinheiro.
Na aterragem, olhei para o Etna e confesso que não fiquei animado.




Ainda tive um bom bocado parado à espera que o tempo amainasse, mas visto que não iria ter sorte resolvi arrancar.
Com milhares de horas de voo no bucho, muitas em ambiente militar, não são umas nuvens que me vão amedrontar.




Já no ar, o S. Pedro lembrou-se de mim, e o cume do Etna estava sem nuvens.




No entanto, para Noroeste o tempo estava medonho. Nuvens com muito maus aspecto e relâmpagos a toda a hora.




Aqui, uma vista do cume com alguma neve a persistir na encosta Norte.



Sendo um vulcão activo, há formas no solo que não costumamos encontrar em mais lado nenhum como esta série de crateras, algumas bem grandes. Deduzo que resultado de alguns piroclastos expelidos nalguma erupção recente.




Entretanto, o tempo a Noroeste ia de mal a pior. Por esta altura comecei a ponderar se seria boa ideia seguir caminho.




Decidido a pelo menos tentar, arrepiei caminho.




No entanto, uma sensação forte, um aperto na barriga intensificava-se à medida que me aproximava da tempestade.
Nós por cá, chamamos a isto de sentia de medo.




Forcei-me a usar a razão para forçar o que não deveria ser forçado. Por onde quer que procurasse, es entradas estavam todas vedadas.



Até sobre a água, a visibilidade era zero até ao solo.




Apesar do meu avião ter os instrumentos para voar sem visibilidade, as condições presentes são demasiado agressivas e prosseguir para o meu destino inicial parecia-me demasiado arriscado.
Decido retornar a Catânia.
Uma batalha perdida,não significa perder a guerra.
Amanhã, vingo-me.


A aterragem foi simples. Felizmente a tempestade ainda não chegou ao aeroporto.

« Last Edit: October 21, 2020, 00: 23 by Alexandre Baptista »

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Re: Volta ao mundo em Caracol
« Reply #29 on: October 21, 2020, 23: 22 »
Etapa 15 - "Segundo Round"
Catânia, Italia (LICC) - Lamezia Terme, Italia (LICA)
Distância : 190km
Tempo de voo: 1:15
Combustível: 10 galões


Depois do imprevisto do voo de ontem, tinha esperança que hoje o tempo desse tréguas. Infelizmente quando fui à janela, desilusão! Foi como se o tempo tivesse estagnado no mesmo dia. Até as nuvens me pareciam as mesmas.
Meia duzia de telefonemas passaram e fui para a pista com a confiança que pelo menos no aeroporto de chegada havia algumas centenas de pés de visibilidade.
Desta vez, tenho um trunfo. Ao contrário de ontem, hoje parti com um plano.

A ideia é percorrer a ilha, contornando o Etna para Norte, até ao promontório de Tono, uma língua de terra facilmente indentificável do ar.
Aí, seguir em linha recta para Norte e assim que cruzar a radial com o mesmo rumo que a pista, virar 90º à esquerda até ter visual com a mesma.
Desta forma asseguro que todo o trajecto sem visibilidade é feito sobre água, eliminando o risco de colisão com o solo.






Etna no momento da descolagem. Como tinha dito, fotocopia do dia anterior.



Última vista da parte Sul da ilha.



Aproximação ao vulcão. Apesar de tudo, a camada de nuvens deve ser menos densa. O dia parece-me um pouco mais luminoso.




No entanto, algumas coisas permanecem estranhamente iguais. Relâmpagos nobre a costa Noroeste.



Não, não me enganei. Esta imagem não é de ontem.
Aqui já passado o Etna, a chegar à costa Norte.



Como estava relativamente mais calmo e seguro, pude gozar a paisagem com outro estado de espírito. E esta correspondeu.



A tal língua de terra. A minha ultima referência em terra.




Provavelmente a ultima vista de Sicília.




Já sobre o mar, ainda tive alguns minutos com boa visibilidade. Eu não fazia ideia, mas esta zona do sul de Itália, tem inúmeros vulcões, alguns ainda activos.
Ao longe, o vulcão Stromboli, imortalizado por Ingrid Bergman pela lente de Rossellini.




Assim, que entrei nas nuvens a visibilidade passou literalmente para zero e o voo passou a ser feito inteiramente por instrumentos.




Este avião possui DME (distance measure equipment) que nos diz exactamente a distância que falta para o VOR. Desta forma sabia com precisão quando esperar avistar a pista.
Apesar da visibilidade ser de apenas  1000 pés acima do solo, foi o suficiente para ter visual com a pista.



Outro dos instrumentos que o meu avião tem é o ILS (Instrument Landing System) que tal como o nome nos indica, permite aterrar usando apenas os instrumentos para situações sem visibilidade. No entanto, a torre de controlo deu-me autorização para fazer um circuito de aterragem mais curto de forma a poder aterrar sem perder a pista de vista.
Aqui, já na "base leg", a última curva antes da aterragem.




Apesar do nevoeiro, não havia muito vento, por isso foi uma aproximação simples.




O meu contacto tinha razão. Apesar de pouca havia alguma visibilidade e isso fez toda a diferença.



Este retorno à Europa está a dar luta. Espero que nas próximas etapas, o sol se deixe de vergonha e devolva um pouco as cores mediterrânicas que procuros