Etapa 26
HTBU - HTLM
Bukoba- Lago Manyara
dist: 564 km
Acho que de todas as estadias forçadas que tive, esta deve ter sido a menos forçada de todas.
Desde a beleza do local, passando pela hospitalidade da população que tudo me forneceram e não me cobraram um tostão até à praia paradisíaca onde me deleitei a tarde toda, este foi deveras um dia de sonho.
Partida, essa sim bem forçada. Por mim ficava aqui um mês a sorrisos e mexilhão.

Junto à costa a água é de um azul turquesa de postal mas mar adentro em tudo se assemelha a águas oceânicas.

Isto foi assim durante uns minutos. Custa a crer que estou no coração de África a muitas centenas de quilômetros do Oceano.

O céu deslumbrante perpetuava o sonho que têm sido estes últimos dias. E pensar que tive um ano sem pegar nisto e ainda por cima a ouvir falar da Troika todos os dias.

Já em terra, começava o zigzaguear entre as nuvens.

Aos poucos os campos tratados em volta do lago, davam lugar a vastas extensões de savana. Não vi leões, mas que eles lá andam, andam.

Mas mesmo em África, os quilômetros não perdoam e até a savana foi dando lugar a zonas bem mais áridas.
Aqui, já com o lago Eyasi, um charcozito de 80 km, à vista.

Este lago fica a uma cota uns valentes metros abaixo dos planaltos a Norte e junto à margem o solo bem mais fértil fez com que as populações o ocupassem intensamente.

À medida que percorria as margens o chão ia ficando mais verde e e mais belo e já perto do fim do lago, a paisagem é mesmo muito bonita.


O Kilimanjaro é o maior vulcão duma zona extremamente vulcânica e por aqui já surgem os manos mais pequenos.

Isto é tudo muito bonito, mas nesta altura comecei a ficar preocupado. As nuvens estavam cada vez mais baixo e cada vez mais densas e o espaço com visibilidade entre o solo e o tecto das nuvens era por esta altura mínimo.
Sem a tecnologia moderna e numa zona com vulcões que podem passar dos 5 kmde altitude, isto podia tornar-se muito sério.

Como se não bastasse o meu "esposômetro" começava a entrar na zona vermelha. Para quem não é da simulação em geral e não sabe, o esposômetro é um manômetro relacionado com as esposas e afins que indica níveis de proximidade das refeições e vai desde o:
"Amorzinho, o jantar está quase!"...até ao preocupante...
"Eu vou jantar. Tu faz como entenderes mas depois não te queixes."Acho que há relatos de homens que passaram para além disto, mas esses são poucos e só aparecem nos filmes.
No meu caso ainda só ia no...
"Já te chamei a segunda vez. Não torno a chamar outra."...quando comecei aflito à procura duma pista alternativa onde aterrar.
Pelas cartas, sabia que no lago seguinte havia um pequeno aerodromo por isso esse iria ser o meu destino hoje a umas vergomhosas 70 milhas do Kilimanjaro.
Este é o lago e essas margens ~são apenas fruto de alguma bacorada do FSX.

Como diz a lei de Murphy sobre tudo correr mal, a procura da minha pista estava a entrar no ridículo. As cartas dizem que a pista fica mesmo junto à margem Norte do lago mas passados 15 minutos numa área do tamanho do meu quintal, continuo sem encontrar a maldita e isto sobre aquele olhar que tantos de vocês bem conhecem.

Já com os níveis de frustação muito altos resolvo procurar um pouco mais acima.

Lá está a maldita.
Literalmente cagando em "flight paterns" e outras rotas e boas maneiras de aproximação, fiz-me à pista o mais rápido que pude.

Com os nervos nem me lembrei da fotografia do estacionamento mas posso-vos garantir que no final do dia...ou principio da noite tudo acabou bem.
Esta etapa é dedicada a todas as esposas e afins que aturam os canastrões dos seus amados enquanto estes estão agarrados aos joysticks e volantes. Um grande beijinhos para todas!