Por ocasião do meu aniversário no inicio de Junho a minha cara metade fez-me uma surpresa e ofereceu-me um batismo de voo no Aeródromo de Tires.
Escusado será dizer que foi uma experiência simplesmente maravilhosa e uma tarde inesquecível. A Empresa chama-se Hangar5 e o instrutor foi o simpático João Abraão que depois de um briefing de quase 2 horas onde foi explicado um pouco de tudo relacionado com pilotagem, navegação, tráfego aéreo, regras e muitas curiosidades lá fomos esticar as asas! Fiquei pasmado ao saber que em termos de tráfego o aeródromo de Tires é o 3º mais movimentado de Portugal ficando à frente de Faro, por exemplo, e o 7º mais movimentado da Península Ibérica!
O voo foi feito num ultra-ligeiro (acho que é assim que se denomina) Dynamic WT9.
http://www.aerospool.sk/index.php/en/2014-09-19-06-19-48/dynamic-wt9/dynamic-wt9.htmlEmbora não tenha uma potência por ai além (pouco mais de 80cv) e o landing-gear no modelo em que voei não seja retractável a relação peso/potência permite-lhe uns consideráveis 200km/h. É um avião muito manobrável e reage ao mínimo input quer no stick quer no rudder. Pessoalmente dismistificou-me muito a ideia que muitas vezes se tem na simulação aérea de que os joysticks são sensiveis de mais com movimentos muito curtos. Não sei em aviões mais pesados tipo Cessna mas no Dynamic é mesmo assim. Qualquer movimento ele reage logo.
Embora já tenha voado em aviões comerciais esta era uma experiência totalmente nova ainda para mais com a possibilidade de pôr as mãos no bicho, o que me entusiasmava mas ao mesmo tempo me assustava gelando-me a barriga e fazendo-me transpirar por todos os poros!
Seguimos então para a nossa casca de noz puxando-o do Hangar a braço para a placa. Autorizado o voo e o plano de voo e depois de autorizados pelo ATC o João ligou o pequeno motor que para além da natural vibração nem era muito ruidoso. Estava uma tarde muito quente e como tal fizemos o taxi com a canopy aberta. Foi-me explicado que linha seguir e enquanto o João controlava o throttle era eu que ia controlando o rudder durante o percurso do taxi até à runway. Ou melhor, até metade da runway! Há ultima foi decidido que faríamos o take off daí mesmo devido a tanto trafego de descolagens e aterragens para não perder tempo e, principalmente, não cozermos no cockpit!

Mas era impressionante o nº de aviões com bastantes go-arounds ou "borregos" como é chamado pelos instrutores. O João explicou-me que existem muitos "borregos" pois é das coisas que se ensina logo a qualquer novo piloto que a ultima coisa a fazer é forçar uma aterragem. Ou as condições são as ideais ou não vale a pena forçar e é meter throttle dar a volta e tentar outra vez. Forçar é que nunca pois vai acabar mal. Tanto é assim que em jeito de brincadeira a uma aterragem bem conseguida eles chamam um "borrego falhado"!

Autorizados mais uma vez pelo ATC entramos em pista throttle no máximo e ai vamos nós. É fascinante o nosso corpo sentir todas as oscilações e comportamentos do avião. Brutal. Atingidos os 1000ft viramos na direção do mar. É quando o João me pede para pegar no stick enquanto ele precisa de ver qualquer coisa no tlm. Bandido lá me enganou e dou comigo a pilotar

Na meia hora seguinte do voo tirando o throttle e o trim fiquei aos comandos com um misto de alegria imensa e frio no estomago. Sente-se tudo no avião: um pouco mais de motor, uma pequena correcção do trim, um pequenissimo movimento no stick, o vento por vezes mais forte, qualquer turbulência é perceptivel e sentida naquela casca de noz com asas. Demos algumas voltas largas e ainda subimos para os 1500ft seguindo sempre a zona costeira quase até ao Guincho e voltando depois para o Bugio/Carcavelos. O joão ia pedindo alguma correcções no pitch e eu ia tentando corresponder.
Num ápice era altura de regressarmos. A aterragem não é menos impressionante pois descemos muito a pique só corrigindo à ultima para o avião assentar suavemente na pista. Na final era eu que comandava o rudder e no video é perceptivel uma guinada que o avião dá aquando de uma correcção menos conseguida da minha parte. É impressionante que a reacção do avião está muito bem simulada em muitos dos simuladores que costumamos a voar.
Foi uma experiência que nunca vou esquecer sem dúvida.
No final ainda ganhei um chapéu do Hangar5 e um diploma que carinhosamente chamo de
brevet e já está emoldurado, claro!

Ficam os videos: